
A cardiopatia isquêmica é o conjunto de doenças cardíacas causadas pela redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco (miocárdio) em decorrência do estreitamento ou obstrução das artérias coronárias. É a principal causa de morte no mundo e um dos maiores desafios da saúde pública global. No Brasil, responde por cerca de 30% das mortes por doenças cardiovasculares.
Conhecer a cardiopatia isquêmica — suas causas, manifestações, diagnóstico e tratamento — é fundamental para prevenir eventos graves como o infarto do miocárdio e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com essa condição.
O que é Cardiopatia Isquêmica?
A cardiopatia isquêmica, também conhecida como doença arterial coronariana (DAC), resulta da aterosclerose das artérias coronárias — processo em que placas de gordura, colesterol, células inflamatórias e cálcio se acumulam nas paredes arteriais, reduzindo seu lúmen e comprometendo a oxigenação do miocárdio.
A isquemia miocárdica pode se apresentar de diferentes formas, desde a angina estável (isquemia induzida pelo esforço, reversível) até a síndrome coronariana aguda, que inclui a angina instável e o infarto agudo do miocárdio (com ou sem supradesnivelamento de ST).
Causas e Fatores de Risco da Cardiopatia Isquêmica
A principal causa da cardiopatia isquêmica é a aterosclerose coronariana, que se desenvolve ao longo de décadas sob a influência de fatores de risco modificáveis e não modificáveis:
Fatores de Risco Não Modificáveis
- Idade: risco aumenta progressivamente após os 45 anos nos homens e 55 nas mulheres
- Sexo: homens têm risco maior antes da menopausa; após a menopausa, o risco feminino se equipara
- Histórico familiar: DAC prematura em parente de primeiro grau (< 55 anos em homens, < 65 anos em mulheres)
- Etnia: afro-descendentes têm maior prevalência de hipertensão arterial
Fatores de Risco Modificáveis
- Hipertensão arterial: principal fator de risco para DAC e AVC
- Dislipidemia: LDL elevado, HDL baixo e triglicérides altos
- Diabetes mellitus: acelera a aterosclerose por mecanismos inflamatórios e glicação proteica
- Tabagismo: danifica o endotélio vascular, promove trombose e reduz HDL
- Obesidade e sedentarismo: especialmente gordura abdominal (síndrome metabólica)
- Estresse crônico: eleva cortisol e adrenalina, promovendo inflamação vascular
Sintomas da Cardiopatia Isquêmica
Os sintomas variam de acordo com a forma clínica e a gravidade da obstrução coronariana:
Angina Estável
Dor ou desconforto no peito desencadeado pelo esforço físico ou estresse emocional, que melhora com repouso ou nitrato sublingual em menos de 5 minutos. Tipicamente descrita como pressão, aperto ou queimação retroesternal, podendo irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou dorso.
Síndrome Coronariana Aguda
Dor anginosa que surge em repouso, tem maior intensidade, dura mais de 20 minutos e não melhora completamente com nitrato. Pode acompanhar-se de sudorese, náuseas, vômitos, dispneia e síncope. Representa emergência médica que exige atendimento hospitalar imediato.
Isquemia Silenciosa
A isquemia miocárdica pode ocorrer sem dor — mais comum em diabéticos (por neuropatia autonômica) e idosos. Pode se manifestar apenas como dispneia, fadiga ou ser descoberta em exames eletrocardiográficos ou cintilografias de rotina.
Diagnóstico da Cardiopatia Isquêmica
O diagnóstico da cardiopatia isquêmica requer uma avaliação clínica criteriosa associada a exames complementares:
- Eletrocardiograma (ECG): pode mostrar alterações de ST-T, ondas Q de infarto antigo ou bloqueio de ramo
- Teste ergométrico (teste de esforço): avalia a resposta do coração ao exercício e detecta isquemia induzida pelo esforço
- Cintilografia de perfusão miocárdica: detecta áreas com isquemia ou necrose
- Ecocardiograma de estresse: detecta alterações de motilidade regional durante esforço ou estresse farmacológico
- Angiotomografia de coronárias (angioTC): avaliação não invasiva da anatomia coronariana, especialmente em pacientes com probabilidade intermediária
- Cineangiocoronariografia (cateterismo cardíaco): padrão ouro para avaliar obstruções coronarianas e planejar revascularização
Tratamento da Cardiopatia Isquêmica
O tratamento da cardiopatia isquêmica é multidisciplinar e inclui mudanças no estilo de vida, medicamentos e procedimentos de revascularização:
Mudanças no Estilo de Vida
- Cessação do tabagismo
- Dieta cardioprotetora (mediterrânea ou DASH)
- Atividade física regular supervisionada
- Controle do peso e da circunferência abdominal
- Gerenciamento do estresse
Tratamento Medicamentoso
- Antiagregantes plaquetários: AAS e clopidogrel/ticagrelor
- Estatinas: redução do LDL e estabilização da placa aterosclerótica
- Betabloqueadores: reduzem a demanda de oxigênio do miocárdio e têm efeito antiarrítmico
- Nitratos: alívio da angina por vasodilatação coronariana
- IECA ou BRA: especialmente em pacientes com disfunção ventricular ou diabetes
Revascularização Miocárdica
- Angioplastia coronariana percutânea (ICP): dilatação da artéria obstruída com balão e implante de stent — procedimento de escolha para lesões únicas ou multivaso em pacientes selecionados
- Cirurgia de revascularização miocárdica (CRVM): ponte de safena ou mamária para contornar a obstrução — indicada em doença de múltiplos vasos, tronco de coronária esquerda ou em pacientes diabéticos
Para saber mais sobre prevenção cardiovascular, consulte as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e leia nosso artigo sobre prevenção cardiovascular primária e secundária.
Conclusão
A cardiopatia isquêmica é uma doença crônica e evolutiva que exige atenção contínua ao longo da vida. Com o controle rigoroso dos fatores de risco, o uso correto dos medicamentos e, quando necessário, a revascularização coronariana, é possível reduzir significativamente o risco de infarto agudo do miocárdio e melhorar a qualidade de vida. Consulte um cardiologista e inicie hoje mesmo o cuidado com o seu coração.


