
A dissecção de aorta é uma emergência cardiovascular potencialmente fatal, caracterizada pelo rompimento da camada interna (íntima) da aorta, permitindo que o sangue penetre entre as camadas da parede arterial e crie um falso lúmen. Trata-se de uma das condições mais críticas na cardiologia, com alta mortalidade nas primeiras horas, o que exige diagnóstico rápido e tratamento imediato.
A aorta é o maior vaso sanguíneo do corpo humano, responsável por distribuir o sangue bombeado pelo coração para todos os órgãos e tecidos. Quando sua parede é comprometida pela dissecção, as consequências podem ser devastadoras, incluindo isquemia de órgãos vitais, insuficiência aórtica aguda e ruptura aórtica.
Tipos de Dissecção de Aorta
A classificação mais utilizada é a de Stanford, que divide a dissecção de aorta em dois tipos: o Tipo A, que envolve a aorta ascendente (com ou sem extensão para a aorta descendente), e o Tipo B, que afeta apenas a aorta descendente, sem envolvimento da aorta ascendente. Essa classificação é fundamental para definir a conduta terapêutica adequada.
A dissecção Tipo A é considerada cirúrgica de urgência, com altíssima mortalidade nas primeiras 48 horas sem tratamento. A dissecção Tipo B, na ausência de complicações, pode ser tratada inicialmente com medicações.
Causas e Fatores de Risco
A hipertensão arterial sistêmica é o principal fator de risco para a dissecção de aorta, estando presente em mais de 70% dos casos. O controle rigoroso da pressão arterial é, portanto, a medida preventiva mais importante. Outros fatores de risco importantes incluem:
A síndrome de Marfan e outras colagenoses que afetam a estrutura da parede aórtica aumentam significativamente o risco de dissecção, mesmo em pacientes jovens. A aterosclerose, o tabagismo, o uso de cocaína e anfetaminas, traumatismos torácicos, procedimentos cardíacos prévios e a presença de aneurisma de aorta preexistente também são fatores associados ao desenvolvimento desta condição grave.
Sintomas: Como Reconhecer a Dissecção de Aorta
O sintoma mais característico da dissecção de aorta é a dor torácica de início súbito, descrita pelos pacientes como uma dor intensa, lancinante ou em "rasgo", que pode irradiar para as costas, abdome ou membros inferiores. A intensidade máxima costuma ocorrer no início, diferenciando-se do infarto agudo do miocárdio, onde a dor tende a aumentar progressivamente.
Outros sinais e sintomas que podem acompanhar a dissecção de aorta incluem: síncope (desmaio), assimetria de pulsos nos membros superiores, déficit neurológico focal por isquemia cerebral, insuficiência renal aguda por comprometimento das artérias renais, isquemia mesentérica com dor abdominal intensa e hipotensão ou choque nos casos de ruptura.
Diagnóstico
O diagnóstico da dissecção de aorta é uma emergência e deve ser realizado com rapidez. A angiotomografia de aorta (angio-TC) com contraste é o exame de imagem de escolha na maioria dos serviços de emergência, pois permite visualizar toda a extensão da dissecção, identificar o flap intimal, avaliar o envolvimento dos ramos aórticos e estimar o diâmetro da aorta.
O ecocardiograma transesofágico também é muito útil no diagnóstico, especialmente quando o paciente está instável hemodinamicamente e não pode ser transportado para a realização da tomografia. A ressonância magnética, embora mais detalhada, raramente é utilizada na fase aguda pela demora no tempo de aquisição das imagens.
Tratamento da Dissecção de Aorta
O tratamento da dissecção de aorta é determinado pelo tipo de dissecção e pela presença de complicações. A dissecção Tipo A (com envolvimento da aorta ascendente) é uma indicação cirúrgica de urgência. A cirurgia consiste na substituição da aorta ascendente e, quando necessário, da raiz aórtica e do arco aórtico, com o objetivo de prevenir a ruptura e as complicações da progressão da dissecção.
A dissecção Tipo B não complicada é tratada inicialmente com medicamentos, principalmente betabloqueadores e outros anti-hipertensivos, para reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial, diminuindo o estresse sobre a parede aórtica. Nos casos complicados por isquemia de órgãos, expansão rápida ou risco de ruptura, o tratamento endovascular com prótese aórtica (TEVAR) é indicado.
Prevenção e Acompanhamento
A prevenção da dissecção de aorta passa pelo controle rigoroso da pressão arterial, abandono do tabagismo, rastreamento e acompanhamento de aneurismas de aorta e avaliação cardiológica em pacientes com síndromes genéticas que afetam o tecido conjuntivo. Após o tratamento, o acompanhamento regular com exames de imagem é fundamental para monitorar a evolução da dissecção.
A dissecção de aorta é uma condição grave que requer controle rigoroso de fatores de risco como hipertensão arterial e aterosclerose. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o rastreamento de aneurismas e o controle pressórico são fundamentais para a prevenção desta emergência cardiovascular.
Na Cardion, nossa equipe de cardiologistas está preparada para identificar fatores de risco e realizar o acompanhamento de pacientes com doenças da aorta. O diagnóstico precoce e o controle adequado dos fatores de risco são as melhores formas de prevenir esta condição grave. Agende sua consulta e proteja seu coração.


