09 de junho de 2026
Endocardite Infecciosa: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O que é Endocardite Infecciosa?
A endocardite infecciosa é uma inflamação do endocárdio — a membrana interna que reveste as câmaras e as válvulas cardíacas — causada pela colonização de microrganismos, principalmente bactérias. Trata-se de uma condição grave, potencialmente fatal, que exige diagnóstico rápido e tratamento especializado por um cardiologista.
Embora qualquer parte do endocárdio possa ser afetada, as válvulas cardíacas são os locais mais frequentemente acometidos. A doença pode ocorrer em pessoas com ou sem doença cardíaca prévia, sendo mais comum em indivíduos com cardiopatias estruturais, usuários de próteses valvares ou pacientes imunocomprometidos.
Causas da Endocardite Infecciosa
A endocardite infecciosa é causada pela entrada de microrganismos na corrente sanguínea, processo conhecido como bacteremia. Os principais agentes causadores incluem:
- Streptococcus viridans: associado a procedimentos dentários, é uma das causas mais comuns de endocardite subaguda.
- Staphylococcus aureus: responsável pela maioria dos casos agudos e mais graves, frequentemente associado ao uso de cateteres e drogas injetáveis.
- Enterococcus: comum em pacientes idosos e após procedimentos gastrointestinais ou urológicos.
- Fungos: como Candida e Aspergillus, mais raros, mas de alta mortalidade, observados em pacientes imunodeprimidos.
Os fatores de risco incluem: presença de prótese valvar cardíaca, cardiopatias congênitas, uso de drogas injetáveis, procedimentos odontológicos sem profilaxia adequada, uso prolongado de cateteres venosos centrais e histórico de endocardite anterior.
Sintomas da Endocardite Infecciosa
Os sintomas da endocardite infecciosa variam conforme o agente causador e a velocidade de progressão da doença. Ela pode se apresentar de forma aguda (rápida e grave) ou subaguda (lenta e progressiva). Os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Febre persistente: é o sintoma mais frequente, podendo ser acompanhada de calafrios e sudorese noturna.
- Fadiga e fraqueza: sensação de cansaço intenso sem causa aparente.
- Sopro cardíaco novo ou mudança em sopro existente: detectado pelo cardiologista durante a ausculta cardíaca.
- Dor articular e muscular: artralgia e mialgia são comuns.
- Petéquias: pequenas manchas vermelhas na pele causadas por microêmbolos.
- Nódulos de Osler: nódulos dolorosos nos dedos das mãos e dos pés.
- Manchas de Janeway: lesões eritematosas e indolores nas palmas e plantas.
- Manchas de Roth: hemorragias retinianas visíveis no exame de fundo de olho.
- Esplenomegalia: aumento do baço observado nos casos subagudos.
Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), abscesso perivalvar e insuficiência renal.
Diagnóstico da Endocardite Infecciosa
O diagnóstico da endocardite infecciosa é baseado nos Critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. Os principais exames utilizados são:
- Hemoculturas: coleta de sangue para identificação do microrganismo responsável. São fundamentais para guiar o tratamento antibiótico.
- Ecocardiograma: o ecocardiograma transtorácico (ETT) e, especialmente, o transesofágico (ETE) são essenciais para visualizar vegetações nas válvulas cardíacas, avaliando extensão da lesão e função cardíaca.
- Exames de sangue: hemograma, proteína C-reativa (PCR), velocidade de hemossedimentação (VHS) e provas de função renal.
- Tomografia computadorizada: útil para detectar complicações como abscesso ou êmbolos em órgãos.
Tratamento da Endocardite Infecciosa
O tratamento da endocardite infecciosa deve ser iniciado o mais precocemente possível e geralmente exige hospitalização. As principais abordagens incluem:
Tratamento Clínico (Antibióticos)
O pilar do tratamento é a antibioticoterapia endovenosa prolongada, geralmente por 4 a 6 semanas. A escolha do antibiótico depende do microrganismo identificado nas hemoculturas e do resultado dos testes de sensibilidade. Os esquemas mais utilizados incluem penicilinas, cefalosporinas, vancomicina e gentamicina, conforme o agente causador.
Tratamento Cirúrgico
Cerca de 40 a 50% dos casos de endocardite infecciosa requerem cirurgia cardíaca, indicada quando há:
- Insuficiência cardíaca grave decorrente da disfunção valvar
- Infecção não controlada com antibióticos (abscessos, fístulas)
- Vegetações de grande tamanho com alto risco de êmbolos
- Endocardite por fungos ou microrganismos de difícil tratamento
Prevenção da Endocardite Infecciosa
A prevenção é especialmente importante para pacientes de alto risco. As principais medidas incluem:
- Profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos invasivos em pacientes de alto risco (portadores de próteses valvares, cardiopatias congênitas cianóticas ou histórico de endocardite)
- Higiene bucal rigorosa para reduzir bacteremia transitória
- Cuidados adequados com cateteres venosos centrais
- Evitar uso de drogas injetáveis
- Acompanhamento cardiológico regular para portadores de cardiopatias estruturais
Quando Procurar um Cardiologista?
Diante de febre prolongada sem causa aparente, especialmente em pacientes com cardiopatias conhecidas, portadores de próteses valvares ou com fatores de risco, a consulta com um cardiologista é indispensável. O diagnóstico precoce da endocardite infecciosa é determinante para o sucesso do tratamento e para a redução de complicações graves.
Para orientações atualizadas sobre o tratamento da endocardite infecciosa, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e os protocolos publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
Na Cardion, nossa equipe de cardiologistas está preparada para investigar, diagnosticar e tratar a endocardite infecciosa com toda a tecnologia e o cuidado que você merece. Agende sua consulta e cuide do seu coração com os melhores especialistas.


