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14 de maio de 2026

Estenose Aórtica: Causas, Sintomas e Opções de Tratamento

Estenose Aórtica: Causas, Sintomas e Opções de Tratamento

A estenose aórtica é uma das valvopatias mais comuns em adultos, especialmente entre pessoas acima dos 60 anos. Trata-se do estreitamento (estenose) da válvula aórtica, que é responsável por controlar o fluxo de sangue do ventrículo esquerdo do coração para a aorta e, subsequentemente, para todo o organismo. Quando essa válvula não abre adequadamente, o coração precisa trabalhar com muito mais esforço para bombear o sangue, o que pode levar a complicações graves se não tratada.

O que é a Válvula Aórtica e Qual o Seu Papel?

O coração possui quatro válvulas que atuam como portões, garantindo que o sangue flua na direção correta. A válvula aórtica fica entre o ventrículo esquerdo e a aorta, abrindo para deixar o sangue rico em oxigênio sair do coração e fechando para impedir o refluxo. Em condições normais, ela é composta por três folhetos (cúspides) que abrem e fecham em cada batimento cardíaco.

Quando ocorre a estenose aórtica, esses folhetos ficam rígidos, espessados ou fundidos, reduzindo a abertura da válvula e dificultando a passagem do sangue. Isso gera um aumento na pressão dentro do ventrículo esquerdo e, com o tempo, pode causar o enfraquecimento do músculo cardíaco.

Principais Causas da Estenose Aórtica

As causas da estenose aórtica variam conforme a faixa etária do paciente. As mais comuns incluem:

Degeneração calcificada relacionada à idade

É a causa mais frequente em adultos com mais de 65 anos. Com o envelhecimento, ocorre um processo de calcificação gradual dos folhetos valvares, semelhante ao que acontece nas artérias coronárias na aterosclerose. Fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e tabagismo aceleram esse processo.

Válvula aórtica bicúspide congênita

Cerca de 1 a 2% da população nasce com uma válvula aórtica de apenas dois folhetos em vez de três — condição chamada de válvula bicúspide. Essa anomalia predispõe ao desenvolvimento de estenose em idades mais jovens, geralmente entre 40 e 60 anos, devido ao desgaste acelerado da estrutura valvar.

Febre reumática

A febre reumática, complicação de infecções pelo Streptococcus do grupo A, pode causar inflamação das válvulas cardíacas, levando à cicatrização e fusão dos folhetos. Embora mais rara nos dias de hoje devido ao tratamento precoce com antibióticos, ainda é causa significativa em países em desenvolvimento.

Sintomas da Estenose Aórtica

A estenose aórtica pode permanecer silenciosa por muitos anos, especialmente nas fases leve e moderada. À medida que a doença progride e se torna grave, surgem sintomas que sinalizam comprometimento significativo da função cardíaca. Os três sintomas clássicos são dispneia aos esforços, dor no peito (angina) e síncope (desmaio).

Dispneia aos esforços (falta de ar)

A falta de ar, inicialmente aos esforços e depois em repouso, é o sinal mais precoce da deterioração da função cardíaca. O coração, sobrecarregado pela dificuldade de ejetar sangue pela válvula estreitada, começa a falhar e o líquido se acumula nos pulmões, causando a dispneia.

Dor no peito (angina)

A angina na estenose aórtica ocorre porque o músculo cardíaco hipertrofiado, que aumenta para compensar o esforço extra, passa a demandar mais oxigênio do que as coronárias conseguem suprir. Manifesta-se tipicamente como uma pressão ou aperto no peito durante atividades físicas.

Síncope (desmaio)

Os desmaios ou pré-desmaios, especialmente durante o exercício, ocorrem quando o coração não consegue aumentar o débito cardíaco necessário para sustentar a atividade física, resultando em queda da pressão arterial e redução do fluxo sanguíneo para o cérebro. O aparecimento de qualquer um desses três sintomas na estenose aórtica grave indica prognóstico reservado sem tratamento.

Como é Feito o Diagnóstico

O diagnóstico da estenose aórtica começa pela suspeita clínica durante a consulta cardiológica. Na ausculta cardíaca, o médico identifica um sopro cardíaco característico — um som sistólico de ejeção, mais intenso na área aórtica, que irradia para o pescoço. A partir da suspeita clínica, os exames complementares confirmam e quantificam a gravidade da doença.

Ecocardiograma: o exame de escolha

O ecocardiograma com Doppler é o método padrão-ouro para o diagnóstico e acompanhamento da estenose aórtica. Por meio de ultrassom, o exame avalia a morfologia dos folhetos valvares, o grau de calcificação, a área do orifício valvar, o gradiente de pressão entre o ventrículo esquerdo e a aorta, além da função do ventrículo esquerdo. A estenose aórtica é classificada como leve, moderada ou grave com base nesses parâmetros.

Outros exames complementares

O eletrocardiograma (ECG) pode revelar sinais de hipertrofia ventricular esquerda. A radiografia de tórax pode mostrar calcificação valvar e sinais de congestão pulmonar. O cateterismo cardíaco é reservado para casos em que o ecocardiograma é inconclusivo ou antes de intervenções cirúrgicas, especialmente para avaliação das coronárias.

Opções de Tratamento da Estenose Aórtica

Não existe medicamento capaz de reverter ou deter a progressão da estenose aórtica. O tratamento clínico é utilizado para controlar os sintomas e os fatores de risco associados, enquanto o tratamento definitivo é a substituição ou reparo da válvula.

Cirurgia de troca valvar (SAVR)

A substituição cirúrgica da válvula aórtica (SAVR) por uma prótese biológica ou mecânica é o tratamento padrão para pacientes com estenose aórtica grave sintomática que têm condições cirúrgicas adequadas. A cirurgia é realizada com circulação extracorpórea e oferece excelentes resultados a longo prazo.

TAVI: substituição valvar por cateter

O TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation), ou implante de válvula aórtica transcateter, representa uma revolução no tratamento da estenose aórtica. Nesse procedimento minimamente invasivo, uma nova válvula é implantada dentro da válvula doente por meio de um cateter, sem necessidade de cirurgia cardíaca aberta. Indicado para pacientes de alto risco cirúrgico e, crescentemente, para pacientes de risco intermediário.

Quando Procurar um Cardiologista?

Qualquer pessoa com sopro cardíaco identificado em consulta médica deve ser investigada com ecocardiograma. Além disso, sintomas como falta de ar progressiva, dor no peito aos esforços ou episódios de desmaio devem motivar uma consulta cardiológica urgente. Pacientes com diagnóstico prévio de válvula bicúspide precisam de acompanhamento periódico com ecocardiogramas, mesmo sem sintomas, pois a evolução pode ser silenciosa.

O acompanhamento regular com um cardiologista especializado em valvopatias é fundamental para determinar o momento ideal de intervenção, antes que o coração sofra danos irreversíveis. Na Cardion, contamos com exames como o ecocardiograma transtorácico para avaliação completa da função valvar e determinação da melhor conduta terapêutica.

Para mais informações sobre valvopatias e estenose aórtica, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, referência nacional para as melhores práticas em cardiologia clínica.

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