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18 de junho de 2026

Síndrome de Brugada: O Que É, Causas, Sintomas e Tratamento

Síndrome de Brugada: O Que É, Causas, Sintomas e Tratamento

A Síndrome de Brugada é uma condição cardíaca genética rara, porém potencialmente fatal, caracterizada por um padrão eletrocardiográfico específico e associada a um risco elevado de arritmias ventriculares graves e morte súbita. Descrita pelos irmãos Pedro e Josep Brugada em 1992, essa síndrome acomete principalmente homens adultos jovens e, em muitos casos, se manifesta sem qualquer sintoma prévio.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento cardiológico adequado são fundamentais para reduzir o risco de eventos cardiovasculares fatais. Neste artigo, você entenderá o que é a Síndrome de Brugada, quais são suas causas, sintomas, como é feito o diagnóstico e quais as opções de tratamento disponíveis.

O que é a Síndrome de Brugada?

A Síndrome de Brugada é uma canalopatia cardíaca hereditária, ou seja, uma doença causada por mutações em genes que codificam canais iônicos do coração — estruturas responsáveis pelo fluxo de íons como sódio, potássio e cálcio nas células cardíacas. Essas alterações comprometem a atividade elétrica do coração e predispõem o indivíduo a arritmias ventriculares malignas, especialmente durante o repouso ou durante o sono.

Ao contrário de muitas outras doenças cardíacas, a Síndrome de Brugada geralmente não causa alterações estruturais no coração, ou seja, o órgão parece normal nos exames de imagem. O problema é puramente elétrico, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.

Causas e Genética da Síndrome de Brugada

A principal causa identificada da Síndrome de Brugada é a mutação no gene SCN5A, que codifica os canais de sódio cardíacos. Essa mutação é encontrada em aproximadamente 20 a 30% dos pacientes diagnosticados com a síndrome. Em outros casos, mutações em genes relacionados a canais de cálcio, potássio ou proteínas reguladoras também podem estar envolvidas.

A herança é autossômica dominante, o que significa que basta uma cópia alterada do gene para que a condição se manifeste. Assim, filhos de portadores têm 50% de chance de herdar a mutação. Entretanto, a penetrância é variável — nem todos os portadores da mutação desenvolvem sintomas ou apresentam o padrão eletrocardiográfico típico.

Além da predisposição genética, alguns fatores podem desencadear ou agravar episódios arrítmicos, como:

  • Febre alta
  • Uso de determinados medicamentos (antiarrítmicos, antidepressivos tricíclicos, cocaína)
  • Consumo excessivo de álcool
  • Desequilíbrios eletrolíticos (hipocalemia, hipercalcemia)
  • Estado pós-prandial (após refeições fartas)

Sintomas da Síndrome de Brugada

Um dos aspectos mais preocupantes da Síndrome de Brugada é que, em muitos casos, o paciente é totalmente assintomático. O primeiro sinal da doença pode ser, tragicamente, uma parada cardíaca súbita. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

  • Síncope (desmaio): geralmente ocorre durante o sono ou em repouso, sem causa aparente
  • Palpitações: sensação de batimentos irregulares ou acelerados
  • Respiração noturna irregular ou roncos intensos
  • Morte súbita cardíaca: em casos mais graves, pode ser a primeira manifestação

É comum que a síndrome se manifeste entre a terceira e a quarta década de vida, sendo mais prevalente em homens (relação de 8:1 em relação às mulheres). A maior incidência é observada em populações do Sudeste Asiático.

Diagnóstico da Síndrome de Brugada

O diagnóstico é baseado principalmente no eletrocardiograma (ECG), que revela um padrão característico: supradesnivelamento do segmento ST nas derivações V1 e V2, na forma de "sela de cavalo" (tipo 2 e 3) ou em "coved" (tipo 1, considerado diagnóstico).

Existem três tipos de padrão eletrocardiográfico na Síndrome de Brugada:

  • Tipo 1 (padrão coved): supradesnivelamento ≥ 2 mm em formato de abóbada, com descendência abrupta — é o único considerado diagnóstico
  • Tipo 2 (padrão sela de cavalo): supradesnivelamento ≥ 2 mm com descendência lenta
  • Tipo 3: supradesnivelamento < 2 mm em qualquer formato

Em casos onde o padrão tipo 1 não está espontaneamente presente, pode-se realizar o teste de provocação farmacológica com ajmalina ou flecainida, que podem desmascarar o padrão eletrocardiográfico típico. O estudo eletrofisiológico invasivo também pode ser indicado para avaliar o risco de arritmias.

Além do ECG, o médico cardiologista pode solicitar:

  • Holter de 24 horas: para monitorizar o ritmo cardíaco ao longo do dia
  • Ecocardiograma: para excluir doenças estruturais do coração
  • Teste genético: para identificar mutações no gene SCN5A e orientar o rastreio familiar

Tratamento da Síndrome de Brugada

Não existe cura para a Síndrome de Brugada, mas o tratamento visa prevenir episódios de arritmia grave e morte súbita. As principais estratégias incluem:

Cardioversor-Desfibrilador Implantável (CDI)

O CDI é o tratamento mais eficaz para pacientes de alto risco. Trata-se de um dispositivo implantado cirurgicamente sob a pele, capaz de detectar e interromper arritmias ventriculares graves por meio de choques elétricos internos. É indicado principalmente para pacientes que já sofreram parada cardíaca ou que apresentam síncopes recorrentes.

Ablação por Radiofrequência

A ablação por cateter tem sido estudada como uma alternativa ou complemento ao CDI em alguns casos selecionados, especialmente para pacientes com múltiplos choques do dispositivo ou tempestades elétricas.

Medicamentos

A quinidina é o único antiarrítmico com evidência de benefício na Síndrome de Brugada, podendo ser usada como alternativa em pacientes que não podem receber o CDI ou como terapia adjuvante. O isoproterenol pode ser usado em situações agudas de tempestade elétrica.

Medidas Preventivas Gerais

Independentemente do tratamento escolhido, todos os portadores da síndrome devem:

  • Evitar medicamentos que possam desencadear arritmias (verificar a lista em BrugadaDrugs.org)
  • Tratar febre prontamente com antitérmicos
  • Evitar o consumo excessivo de álcool
  • Realizar rastreio familiar (testes genéticos em parentes de primeiro grau)
  • Manter acompanhamento cardiológico regular

Quando Consultar um Cardiologista?

Você deve buscar avaliação cardiológica se:

  • Tiver histórico familiar de morte súbita ou Síndrome de Brugada
  • Apresentar desmaios inexplicáveis, especialmente durante o repouso ou sono
  • Sentir palpitações frequentes sem causa aparente
  • Receber diagnóstico incidental de padrão eletrocardiográfico sugestivo de Brugada

O diagnóstico precoce salva vidas. A Clínica Cardion conta com cardiologistas especializados em arritmias, incluindo a Síndrome do QT Longo e outras condições semelhantes, e medicina preventiva para oferecer o melhor cuidado aos pacientes com Síndrome de Brugada e outras cardiopatias.

Conclusão

A Síndrome de Brugada é uma doença cardíaca genética séria, com potencial letal, mas que pode ser gerenciada com acompanhamento adequado e medidas preventivas eficazes. O eletrocardiograma é a principal ferramenta diagnóstica, e o cardioversor-desfibrilador implantável representa a estratégia terapêutica mais consolidada para pacientes de alto risco. Se você tem histórico familiar da doença ou apresenta sintomas suspeitos, procure um cardiologista imediatamente.

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