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24 de junho de 2026

Síndrome WPW (Wolff-Parkinson-White): O Que É, Sintomas e Tratamento

Síndrome WPW (Wolff-Parkinson-White): O Que É, Sintomas e Tratamento

A síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) é uma condição cardíaca congênita caracterizada pela presença de uma via acessória de condução elétrica no coração, conhecida como feixe de Kent. Essa via anômala permite que o impulso elétrico alcance os ventrículos de forma mais rápida do que pelo sistema de condução normal, podendo desencadear episódios de taquicardia supraventricular e, em casos mais raros, arritmias potencialmente letais.

A síndrome de WPW é uma das causas mais comuns de taquicardia em crianças e adultos jovens. Embora muitos pacientes permaneçam assintomáticos por anos, o diagnóstico e o acompanhamento adequados são fundamentais para prevenir complicações graves, incluindo a morte súbita cardíaca em casos selecionados.

Como Funciona a Síndrome WPW: A Via Acessória

No coração normal, o impulso elétrico parte do nó sinusal no átrio direito, percorre o nó atrioventricular (NAV) e segue pelo sistema His-Purkinje até ativar os ventrículos. O NAV tem uma propriedade importante: ele retarda ligeiramente a condução, sincronizando a contração atrial e ventricular.

Na síndrome de WPW, o feixe de Kent conecta diretamente átrios e ventrículos, contornando o NAV. Isso provoca uma pré-excitação ventricular, visível no eletrocardiograma como a onda delta (alargamento inicial do complexo QRS) e encurtamento do intervalo PR. Quando o impulso circula repetidamente entre a via normal e a via acessória, estabelece-se um circuito de reentrada que resulta em taquicardia.

Sintomas da Síndrome WPW

Os sintomas da síndrome de Wolff-Parkinson-White estão relacionados principalmente aos episódios de taquicardia. As manifestações mais comuns incluem palpitações cardíacas súbitas e intensas, que frequentemente descrevem como o "coração disparando" ou "batendo muito rápido". As palpitações geralmente têm início e fim abruptos, diferenciando-se das palpitações por estresse ou ansiedade.

Outros sintomas frequentes são tontura e sensação de desmaio iminente (pré-síncope), síncope (perda de consciência), falta de ar e sensação de aperto no peito durante os episódios de taquicardia. Em casos mais graves, especialmente quando associados à fibrilação atrial, pode ocorrer deterioração hemodinâmica e risco de morte súbita, pois a via acessória pode conduzir os impulsos atriais muito rapidamente para os ventrículos.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de WPW é fundamentalmente eletrocardiográfico. O eletrocardiograma (ECG) em repouso demonstra os achados clássicos da síndrome: intervalo PR curto (menor que 120ms), onda delta no início do complexo QRS e alargamento do QRS acima de 120ms. Esses achados podem ser persistentes ou intermitentes, dependendo das propriedades condutoras da via acessória.

Quando o ECG de repouso é inconclusivo, o Holter de 24 horas pode capturar episódios de pré-excitação intermitente ou registrar as arritmias durante as atividades diárias. O estudo eletrofisiológico é o exame mais completo, pois permite mapear com precisão a localização da via acessória, avaliar suas propriedades de condução e confirmar o papel dela nas taquicardias, sendo também o passo inicial para a ablação por cateter.

Tratamento da Síndrome de WPW

O tratamento da síndrome de Wolff-Parkinson-White depende dos sintomas, das características da via acessória e do risco de complicações de cada paciente. Para pacientes assintomáticos, a conduta pode ser expectante com acompanhamento regular, embora em alguns grupos de risco seja recomendada a intervenção preventiva.

A ablação por cateter por radiofrequência é o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes sintomáticos com síndrome de WPW. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, realizado no laboratório de eletrofisiologia, no qual cateteres são introduzidos por punção venosa e posicionados no coração para mapear e ablacionar (cauterizar) a via acessória. As taxas de sucesso são superiores a 95% para vias acessórias na maioria das localizações.

O tratamento farmacológico com antiarrítmicos pode ser utilizado para controlar episódios agudos de taquicardia ou como terapia de longo prazo em pacientes que não desejam ou não podem realizar a ablação. Medicamentos como a flecainida, a propafenona e a amiodarona são os mais utilizados nesse contexto. É importante ressaltar que medicamentos que bloqueiam apenas o NAV, como os betabloqueadores e o verapamil, devem ser utilizados com cautela em pacientes com fibrilação atrial e WPW.

Acompanhamento Cardiológico na Síndrome de WPW

Todos os pacientes com diagnóstico de síndrome de WPW devem ser acompanhados por um cardiologista com experiência em arritmias. A estratificação de risco, baseada nas propriedades de condução da via acessória, é fundamental para identificar pacientes com maior risco de morte súbita e que se beneficiarão da ablação mesmo na ausência de sintomas.

Para saber mais sobre condições relacionadas à síndrome WPW e outras arritmias, confira nossos artigos sobre Taquicardia Supraventricular e Fibrilação Atrial. Para informações baseadas em evidências científicas sobre cardiologia, consulte a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Na Cardion, dispomos de recursos completos para o diagnóstico e acompanhamento de arritmias cardíacas, incluindo ECG, Holter de 24 horas e encaminhamento para estudo eletrofisiológico e ablação por cateter. Nossa equipe de cardiologistas está preparada para oferecer o melhor cuidado a cada paciente. Agende sua consulta e cuide da saúde do seu coração.

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