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09 de junho de 2026

Tromboembolismo Pulmonar: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Tromboembolismo Pulmonar: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O que é Tromboembolismo Pulmonar?

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição clínica grave caracterizada pela obstrução de uma ou mais artérias pulmonares por um coágulo sanguíneo, denominado trombo. Na grande maioria dos casos, esse coágulo se origina nas veias profundas dos membros inferiores — processo chamado de trombose venosa profunda (TVP) — e se desprende, migrando pela circulação até atingir os pulmões.

O tromboembolismo pulmonar é uma das principais causas de morte hospitalar e de mortalidade cardiovascular, sendo considerado uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento imediatos. Quando o coágulo obstrui grande parte da circulação pulmonar, pode causar falência cardíaca e morte em minutos.

Causas e Fatores de Risco

O tromboembolismo pulmonar resulta de uma combinação de fatores que favorecem a formação de coágulos — conhecidos como a tríade de Virchow: estase venosa (fluxo sanguíneo lento), lesão endotelial (dano à parede dos vasos) e hipercoagulabilidade (tendência aumentada à coagulação). Os principais fatores de risco incluem:

  • Imobilidade prolongada: viagens longas de avião ou carro, repouso pós-operatório, internação hospitalar prolongada.
  • Cirurgias recentes: especialmente ortopédicas (prótese de quadril ou joelho) e abdominais de grande porte.
  • Câncer: tumores malignos aumentam o risco de trombose por mecanismos inflamatórios e pró-coagulantes.
  • Uso de anticoncepcionais orais e terapia hormonal: especialmente em mulheres fumantes.
  • Gravidez e puerpério: estado pró-coagulante fisiológico aumenta o risco.
  • Obesidade: associada à estase venosa e inflamação sistêmica.
  • Trombofilias hereditárias: como deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina III, fator V de Leiden e síndrome antifosfolipídeo.
  • Histórico de TVP ou TEP prévio: aumenta significativamente o risco de recorrência.
  • Insuficiência cardíaca: redução do débito cardíaco favorece a estase venosa.

Sintomas do Tromboembolismo Pulmonar

Os sintomas do tromboembolismo pulmonar variam conforme o tamanho do coágulo e a extensão da obstrução vascular. Podem ser leves e inespecíficos em casos menores, ou catastróficos nos casos maciços. Os principais sinais e sintomas incluem:

  • Dispneia súbita: falta de ar de início abrupto, sem causa aparente, é o sintoma mais comum.
  • Dor torácica pleurítica: dor no peito que piora com a respiração profunda ou a tosse.
  • Taquicardia: coração acelerado como resposta à hipóxia e à sobrecarga do ventrículo direito.
  • Hemoptise: tosse com sangue, presente em casos de infarto pulmonar.
  • Hipoxemia: queda da saturação de oxigênio no sangue, detectada pelo oxímetro de pulso.
  • Síncope: desmaio ou quase desmaio, indicativo de comprometimento hemodinâmico grave.
  • Hipotensão arterial e choque: nos casos mais graves (TEP maciço), com risco imediato de vida.
  • Sinais de TVP: dor, edema e vermelhidão em uma das pernas, presente em cerca de metade dos casos.

Diagnóstico do Tromboembolismo Pulmonar

O diagnóstico do tromboembolismo pulmonar é frequentemente um desafio clínico, pois seus sintomas podem mimetizar outras condições. A investigação diagnóstica inclui:

  • Escore de Wells: ferramenta clínica que estima a probabilidade pré-teste de TEP com base em critérios clínicos.
  • D-dímero: marcador laboratorial de coagulação; um valor negativo praticamente exclui TEP em pacientes de baixa probabilidade.
  • Angiotomografia pulmonar (Angio-TC): principal exame de imagem, com alta sensibilidade e especificidade para visualizar coágulos nas artérias pulmonares.
  • Cintilografia pulmonar ventilação-perfusão: alternativa à Angio-TC em pacientes com contraindicação ao contraste iodado.
  • Ecocardiograma: avalia a função do ventrículo direito, fundamental para estratificação de gravidade e decisão terapêutica.
  • Troponina e BNP: marcadores de lesão miocárdica e sobrecarga ventricular direita, importantes na estratificação de risco.
  • Ultrassonografia venosa (Duplex scan): detecta trombose venosa profunda nas pernas.

Tratamento do Tromboembolismo Pulmonar

O tratamento do tromboembolismo pulmonar depende da gravidade do quadro clínico e do risco hemodinâmico do paciente:

Anticoagulação

O tratamento principal consiste na anticoagulação, que impede a progressão do coágulo e permite que o organismo dissolva o trombo naturalmente. As opções incluem heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular), fondaparinux e os novos anticoagulantes orais diretos (NOACs) como rivaroxabana, apixabana e dabigatrana. A duração do tratamento varia de 3 meses a indefinidamente, dependendo do fator causal e do risco de recorrência.

Trombólise (Fibrinólise)

Nos casos de TEP maciço com instabilidade hemodinâmica (choque), a trombólise sistêmica com alteplase pode ser utilizada para dissolução rápida do coágulo, quando não há contraindicações.

Embolectomia Cirúrgica ou por Cateter

Em casos de TEP maciço com contraindicação à trombólise ou falha ao tratamento clínico, pode-se indicar a remoção mecânica do coágulo por cirurgia ou por técnicas intervencionistas (trombectomia por cateter).

Prevenção do Tromboembolismo Pulmonar

A prevenção é essencial, especialmente em pacientes hospitalizados e naqueles com fatores de risco identificados. As principais medidas preventivas incluem:

  • Uso de meias de compressão elástica em pacientes de risco
  • Profilaxia com heparina ou anticoagulantes orais em períodos de alto risco (pós-operatório, imobilização)
  • Deambulação precoce após cirurgias
  • Hidratação adequada
  • Realização de exercícios nas pernas durante viagens longas
  • Tratamento das condições predisponentes como obesidade, insuficiência venosa e câncer

Para aprofundar o conhecimento sobre tromboembolismo pulmonar, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e as recomendações da Arquivos Brasileiros de Cardiologia sobre diagnóstico e tratamento do TEP.

Se você possui fatores de risco para tromboembolismo pulmonar ou apresentou episódio de TVP ou TEP no passado, o acompanhamento cardiológico e angiológico regular é fundamental. Na Cardion, contamos com especialistas em cardiologia e angiologia para sua avaliação e prevenção. Agende sua consulta.

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